27/05/2008
23/5/08 – Moça bonita não paga...

A idéia de que não teremos mais feriadões até o Natal me deixa de rabo em pé. Acabamos de passar por um e, apesar dos programas repetitivos e de não eu não ter feito novos amigos, foi maravilhoso. Além das experiências e passeios, sinto que sempre aprendo um monte a respeito do Digitador nesses períodos de convivência prolongada. No feriado em questão, por exemplo, notei que há programas em que ele se diverte muito mais que eu. Assim foi na feira livre de sexta passada.

No começo, o programa parecia todo dedicado a mim. Chegamos até a feira caminhando, e, mais uma vez, eu me deliciei com aquele mundo de cheiros e o monte de gente que se anima a brincar comigo. Mas a coisa começou a mudar logo depois de o cara encontrar amigos, comer pastel e papear. Enquanto eu ficava ali, imóvel e sem poder interagir com os outros cães, ele morria de rir enquanto conversava.

Depois, ele pegou a sacola e começou a enchê-la de frutas, legumes e queijo. Entre uma barraca e outra, o cara gargalhava ouvindo os gritos dos feirantes.

Numa barraca que vendia abacaxi, ele se divertiu antes mesmo de o feirante começar a falar. Isso porque, aberta, a boca do sujeito parecia um código de barras. Ao sorrir, ele revelava que a ausência e a presença de dentes se alternavam. Nessas circunstâncias, nem precisaria de muito esforço para fazer o Digitador morrer de rir, mas, para apregoar a sua mercadoria, o cara começou a berrar: “Isso aqui verde é gostoso, maduro é uma delícia”.

Depois, numa barraca de pimentões, o feirante ajeitava montinhos de quatro unidades e os colocava em pequenas e amassadas bacias de metal. Daí, começou a gritar: “Cada bacia sai por 1 real”. Soltou essa frase umas três vezes. Até que perdeu a paciência: “Pô, na semana passada eu tava fazendo a 2 reais e tava uma muvuca aqui. Agora, tá por 1 e vocês nem me dão bola”, disse, simulando irritação. O Digitador quase se curvou com a gargalhada que deu.

Por fim, o feirante da barraca de flores veio com essa: “Com meia dúzia, ela te perdoa. Com uma dúzia, ela te deixa dormir na cama”. Pronto, novas gargalhadas.

Confesso que não vejo muita graça nisso tudo. Mas, se o Digitador fica feliz, pra mim tá muito que bom. Isso me dá a certeza de que, mesmo que não seja pelos estímulos mais nobres, muitos outros passeios como esse vêm por aí. Pena que não poderemos mais freqüentar a feira de sexta até o Natal.

Beijo,
Clê
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29/05/2008
Dinastia pug

Navegando à deriva pela internet, a minha queridíssima leitora Cláudia Yumi encontrou esse site muito bacana com fotos mais bacanas ainda sobre os meus colegas de espécie. Vejam só como nós ficamos irresistíveis trajados como Drácula, Spock e Napoleão.

Ah, se você encontrar coisas como essas, mande pra mim, vai?

Beijos,
Clê






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03/06/2008
30/5/08 – Quero que você me aqueça

Faltam mais de 20 dias para a coisa começar de fato, mas já me sinto enfrentando o primeiro inverno da minha vida. E ainda não sei ao certo se estou gostando ou não. A região da casa onde curto as minhas noites de sono é um tanto fria. E os meus pêlos não dão conta de me manter aquecida durante a madrugada. O Digitador já chegou a me cobrir algumas vezes, mas eu sempre acabo me livrando do pano que ele joga sobre mim.

O resultado é que durmo parecendo um tatu-bola. Completamente curvada sobre mim mesma. Mais ou menos como naquele dia horrível em que encarei o meu primeiro cio.

Esse é só um dos lados pouco animadores dos tempos mais frios. Outra coisa é que os dias ficam mais curtos. Mal o cheiro do almoço vindo dos outros apartamentos se dissipa, a escuridão já começa a tomar conta de casa. E a impressão é a de que o Digitador demora mais ainda a chegar.

Pior, quando ele chega, parece que o frio congela a disposição dele para os nossos passeios noturnos. Resultado: não é toda noite que a gente enfrenta as ladeiras de Perdizes em busca de novos amigos e de energia para suportar essa queda na temperatura.

Mas, peraí. Como disse o outro, tudo tem seu lado bom. Até o inverno.

Numa dessas noites congelantes, o Digitador disse que estava morrendo de frio nos pés. Colocou meias (sempre comigo pulando nas pernas dele só para desequilibrá-lo), mas não resolveu. Foi então que o homem abriu o armário, ficou de joelhos, procurou bem lá no fundo e tirou para fora o seu mais bem guardado segredo: o par de pantufas abaixo.

Não tenho mais nada a dizer. Comentem vocês,
Clê

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05/06/2008
You know I’m bad!!!

Quem, como o Digitador, tem a sorte de conviver com um(a) pug sabe que adoramos dançar. Qualquer migalha de felicidade faz a gente saracotear. Quer seja a chegada de um humano em casa, o preenchimento da cumbuquinha de comida, a entrega de um ossinho fake novo em folha ou o encontro com outro cão. Gostamos tanto de dançar que acabamos criando alguns passos que, depois, acabam incorporados (sem crédito) por astros da música pop. Veja abaixo de onde Michael Jackson tirou a inspiração para criar o moonwalk.

Beat it,
Clê


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09/06/2008
2/6/08 – Dia de visita

Quem acompanha as minhas aventuras desde o início lembra que, no dia 3 de março passado, o pai do Digitador sofreu uma isquemia [ND: uma interrupção do fluxo sangüíneo em determinado órgão; no caso do meu pai, foi no cérebro, o que fez a coisa parecer um derrame]. De lá para cá, foram tardes em que fiquei sozinha em casa, pois, segundo me foi explicado, o hospital não admitia cães. Acho isso bem injusto. Afinal, já sei de casos de labradores que estão ajudando médicos a diagnosticar câncer pelo faro. Mas a vida é assim mesmo: quando precisam, deixam a gente entrar.

Há cinco semanas, o pai do Digitador deixou o hospital e voltou pra casa dele. O que é motivo de festa, sem dúvida. Até pra mim, que ganhei de volta as minhas tardes de sábado. Mas havia uma coisa me incomodando. O seu Luiz (esse é o nome do homem) está num sistema chamado “home care” [ND: o paciente fica assistido por enfermeiras 24 horas por dia e sempre tendo alguém da família junto]. Por conta disso, toda semana o Digitador dorme de segunda para terça na casa do pai dele.

Assim, passei a ir para a cama sozinha uma vez por semana. Isso era aliviado um pouco pelo fato de ser o dia em que a Nininha pinta na nossa casa, mas, mesmo assim, era triste. Quando chegava a segunda-feira, o Digitador me olhava com aquela cara de “vou sair e demorar”. Eu respondia com aquele olhar de “vai me deixar mofando aqui?”. Mas sempre entendi que a causa era nobre e nunca enchi o saco dele por isso.

Todavia, uma pulga de inquietude se alojou atrás da minha orelha esquerda: por que eu não podia ir junto? Que mal eu poderia fazer? Acho que pensei tanto nisso que, por telepatia, o Digitador resolveu montar a minha caixinha no banco de trás na segunda passada.

Adoro essas viagens de carro até Mauá. Vamos sempre escutando um sonzinho, vejo a paisagem passando e tiro uns dois cochilos. Graças a este último item, quando chegamos ao destino, desço do carro com toda a disposição (até porque sinto que os humanos adoram as minhas estripulias).

Fomos recepcionados pela Suely, aquela irmã do Digitador que me presenteou com um vestidinho. Ao me ver, ela já começou a soltar um monte de gritinhos em falsete e se apressou em me pegar no colo. Nessa hora, senti aquele cheiro, ouvi aquela respiração e olhei pra baixo: era o Shaolin, o cachorro do seu Luiz. Fiquei mais animada ainda. Quando a Suely me colocou no chão, corri pra cima do meu novo amiguinho. Foi quando percebi que ele não estava muito a fim de papo. Rosnou, fugiu, latiu. Eu fiquei na minha, pois tenho certeza de que ele ainda vai me adorar.

Entramos na casa do seu Luiz. Ele ainda está de cama, mas me pareceu bastante animado. Depois de cumprimentá-lo, o Digitador me atirou no colo do homem, que gritou “Clementina” e começou a me acariciar. Dei o troco e lambi a cara dele, que soltava gargalhadas desprovidas de dentes. Só fui retirada de cima dele porque comecei a brincar com as sondas nas quais ele estava plugado.

Bom, desci e voltei a atazanar o Shaolin, mas ele continuou irredutível. Azar o dele. Na hora de dormir, ficou trancado num quartinho. Do meu lado, tive outra experiência inédita nessa noite: para ficar perto de onde foi instalada a cama hospitalar do pai, o Digitador tem de dormir no sofá da sala. Pois bem, em vez de esticar um paninho para que eu me acomodasse no chão, ele me colocou sobre o sofá, do lado dele. Dormi como um anjo. Adorei esse jeito caloroso de enfrentar o frio das madrugadas mauaenses. E hoje tem mais!!!

Um beijo,
Clê

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09/06/2008
De cinema



A caixa-postal do Digitador está ficando cada vez mais divertida. Olha a foto que mandaram pra o cara. Ele mostrou a imagem original de uma tal de Marilyn Monroe, mas acho que a pugzinha acima é muito mais linda. Pena que o Kennedy não está mais aqui para comparar!
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Não tenho nada a ver com a escolha do meu nome, mas poderia ter sido pior. Minha mãe se chama Shakira Son of Man, e meu pai, Tedy de Larissa Bright. É mole? Bom, vamos aos fatos: sou uma cadelinha da raça pug, superbrincalhona e (modéstia às favas) simpática. Nasci no dia 12 de setembro de 2007. Entre essa data e 9 de janeiro de 2008 - dia em que passei a dividir apê com um cara que pensa que é meu dono e que digita as minhas idéias -, pouca coisa aconteceu. Por isso, conto a minha vida a partir de então. Antes de começar, um aviso (especialmente dirigido ao cara acima, que passo a chamar de Digitador): eu não estou aqui para curar a carência de ninguém. Como diz a letra do único funk carioca que presta, o que eu quero é ser feliz!

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