A vida é uma eterna descoberta. Ainda mais para quem, como eu, ainda está no seu primeiro aninho de vida. No domingo, passei por uma experiência maravilhosa. No final da tarde, o Digitador (que havia me levado à Benedito Calixto no sábado, ele faz questão de lembrar) me colocou no banco de trás do carro. Pensei: “Lá vamos nós a algum parque ou à casa do pai dele”. Acreditei mais nessa segunda hipótese e preparei-me para uma horinha de sono. Mas o trajeto foi curto.
Em pouco mais de dez minutos, estávamos na avenida Paulista. E foi a primeira visita que eu fiz a esse lugar. No começo, fiquei um tanto assustada com aquele monte de pernas indo pra lá e pra cá. Caminhamos uns três quarteirões e comecei a ouvir vários latidos. Chegamos até um casarão [ND: do lado do Conjunto Nacional], de onde partiam aqueles lamentos caninos. O Digitador comprou um bilhete e entramos.
Só lá dentro fiquei sabendo que se tratava de uma festa junina para cães. Logo o Digitador encontrou a Barbara Gancia, uma amiga dos tempos em que ele trabalhava na Folha de S.Paulo. Enquanto os dois conversavam, fiz amizade com o Pacheco Pafúncio e o Ziggy Stardust, os dois cães da mulher.
Logo depois, ouvi um homem berrando em um evidente sotaque carioca: “Caraca, vou conhecer a Clementina ao vivo”. Era o Ricardo Osman, também amigo do Digitador e autor de um livro sobre os meus colegas de espécie. Para meu desapontamento, ele estava sem nenhum dos seis cães que disse ter.
Mas o melhor veio em seguida. A Fernanda e o Miura (já os vi tantas vezes que me refiro a eles como MEUS amigos, e não apenas amigos do Digitador) chegaram com a cadela Luka, que estava vestida de noiva e muito mais amistosa em comparação com as outras vezes em que nos encontramos. A Fé (já tô íntima) estava com uma meia Opaque que seria uma delícia desfiar, mas me controlei.
Enquanto os humanos tomavam vinho quente e tagarelavam, interagi com uma infinidade de cães. O mais interessante deles foi uma pug com cerca de seis anos. Ela parecia não ter muita paciência com as minhas brincadeiras, mas não pude resistir ao ver como ficarei linda daqui a alguns anos. Infelizmente, meu companheiro de apê esqueceu de levar a câmera. Mas a dona da outra pug tirou várias fotos e prometeu repassá-las por e-mail.
Quando já era por volta das 20h, fomos embora. Eu tava com preguiça até de andar. Mesmo assim, chegamos ao estacionamento, entrei no carro e fui quietinha até nossa casa. Subimos até o apê e me arrastei na direção da minha caminha. Dormi umas oito horas seguidas. E assim terminou mais um dia feliz de descobertas.
Oi, gentes, olha só que feliz coincidência. A minha leitora Ana Célia (beijo, minha querida) enviou uma coleção de imagens com o título “Meu dono é um retardado”. Um dia depois, a Juliana (que trabalha com o Digitador; beijo pra ela também) mandou as mesmas imagens. Assim, não temo como deixar de publicar essa galeria abaixo. Afinal, às vezes também tenho a impressão de que o meu dono (deixa ele pensar assim) não bate muito bem da cabeça. Comecemos pelos bichos mais importantes, os pugs, claro!
Tenho de dar um desconto para o Digitador. O tempo no final de semana não ajudou. Chuvinha fina, frio, vento. Tudo conspirou para que passássemos o tempo todo enfurnados dentro do apê. Mas, apesar de (e contra) tudo, ele foi um bom moço e rolou uma dedicação.
A chuva rala impediu que fôssemos à feira na sexta. Mas nos enroscamos pela sala durante o tempo em que estaríamos entre tomates e pastéis. No sábado, como prometido, rolou o meu banhinho. E foi mais legal do que eu esperava. Chegando lá, encontramos com a Fernanda (amiga de trabalho do Digitador) e o marido dela, o Miura. Eles tinham levado a gata da família para vacinar.
E foi a primeira vez em que tive um felino a milímetros do meu focinho. Olhei, cheirei e não entendi muito bem por que os meus congêneres têm tanta encanação com esses bichos. Em um post futuro, prometo colocar uma imagem desse encontro. Só não faço isso agora porque o Digitador ainda não aprendeu como descarregar as imagens do celular no computador. (Ai, alguém aí pode dar umas dicas pra esse homem das cavernas tecnológico?)
No domingo, o dia estava um pouco mais amistoso, e passamos mais de uma hora nos perdendo pelas ruas de Perdizes.
Feitas as contas, só ficaram faltando as duas feiras – a livre e a da Benedito Calixto. Vou torcer para que o tempo dê uma melhorada neste final de semana para que as promessas voltem à tona, pois sei que o Digitador gosta desses programas tanto quanto eu.
Ah, gente, daqui a pouco vão rolar algumas novidades neste espaço. Vai ter até mudança de endereço. Não me deixem só!!!
Sua sala anda meio caidinha? Aquele pufe de oncinha que você comprou na feira de antiguidade não deu muito certo? A reprodução do Miró já perdeu a graça? Não se aflija. Há um jeito simples, eficiente, rápido e não muito caro de arrancar aplausos de seus visitantes. O artista plástico carioca Marcelo Zissu desenvolveu o espetacular adesivo abaixo. Ele custa R$ 185 e pode ser encontrado aqui.
Essa semana tem sido muito complicada pra mim. E ela até que começou bem. Como de hábito, eu e o Digitador fomos até a casa do pai dele e passamos a noite por lá. Acordamos na terça de manhã, fizemos a viagem de volta para Sampa e assumi meu cantinho predileto no nosso apê. De lá para cá, devido a esse tal de fechamento, pouco tempo vem sobrando para mim na vida do Digitador. O máximo que tem rolado são os nossos rodopios pelo chão, as frases engraçadas que ele cria pra mim (a mais nova é “meu bebê é cheio de trique-triques, de fuque-fuques, de nheco-nhecos e de bole-boles”) e um ou outro passeiozinho curto.
Ontem à noite (o mais correto seria dizer na madrugada de hoje), a ficha caiu para o cara. Com cara de cansado, ele chegou em casa por volta das 4 da manhã. Não senti o costumeiro cheiro de álcool que acompanha aquele corpanzil toda vez que ele chega por volta desse horário. Pior, chegou falando no celular. Gente, como é que alguém pode encontrar outra pessoa para conversar ao telefone a essa hora?
Bom, terminada a ligação, rolaram alguns afagos. Daí, ele me pegou no colo e, com a mão sob as minhas axilas, me manteve de pé, bem perto dele. E disse: “Clê, a gente brincou pouco nessa semana, né? Mas não esquenta. Hoje a gente termina o trabalho mais pesado e nós dois vamos ter um fim de semana dos sonhos”.
E prometeu me levar à feira amanhã, um banho seguido de feirinha da Benedito no sábado e um passeio pelo parque Villa-Lobos no domingo. Eu ouvi tudo isso de rabo abanando na velocidade da luz e salivando de tanta felicidade. Se tudo isso de fato acontecer, vou ser a cachorrinha mais feliz do mundo.
Mas, se não acontecer, na segunda-feira esperem pelo mais irado, mais devastador e mais sanguinolento post que este blog já abrigou.
Gente, desculpe por me sentir no direito de escrever algo de só meu no espaço sagrado da cadelinha mais simpática do mundo. É que, como ela vive apontando os meus defeitos e dizendo que eu deveria fazer isso ou aquilo, sinto-me no direito de colocar no ar um vídeo que mostra que ela também poderia fazer muito mais por mim. Ou eu tô errado?
Gente do céu, preciso urgentemente aprender a abrir a geladeira daqui de casa. O comercial abaixo mostra uma maneira sensacional de convencer o Digitador a dançar comigo na sala.
Outra coisa me deixou assustada em relação ao jogo de ontem. Depois do fim da partida, o Digitador viu um sujeito dando entrevistas, virou pra mim e disse: "Clê, acho que você ficaria linda com esse penteado do Carlinhos Bala". Vi a imagem do cara e acredito que posso passar sem essa.
Os rojões me incomodam. Não tanto quanto a alguns dos meus colegas de espécie. Diferentemente deles, não saio correndo, não me escondo debaixo dos móveis, nem começo a latir loucamente. Apesar disso tudo, o certo é que eles perturbam a minha paz.
Ontem, enquanto esperava a chegada do bonitão em casa, estava rolando um foguetório animado. Eu não sabia ao certo qual era a razão daquilo. Concluí que era uma coisa alusiva àquele jogo que passa na televisão de vez em quando, com aquele monte de homens correndo atrás daquela bola.
Tive certeza disso na hora em que, ainda sob o estrondo de rojões, o Digitador chegou em casa. Com algumas sacolas de supermercado na mão, ele me cumprimentou rapidamente, fez um afago desapaixonado, pegou uma cerveja e bradou: “Hoje tem jogo, bebê”. Com os meus botões, pensei: “Grande m...”. (Perdoe a minha grosseria, mas eu sou de carne e osso, pô.)
Dei uma olhadinha na tela, havia um time de branco. E fiquei torcendo para essa equipe fazer gol, pois, assim, no mínimo ia rolar a dança do peixinho. De repente, o Digitador deu um berro e saltou do sofá. Preparei-me para iniciar a dança, mas, quando olhei para a TV, vi que o gol havia sido contra o time de branco. Notei também que os rojões deram uma silenciada.
Três minutos depois, outro berro do cara. Desta vez mais incisivo, alegre e acompanhado de gritos vindos de vários prédios ao redor do que a gente mora. Depois disso, rolou uma hora de calmaria. Mesmo assim, relativa. De pé e andando pra lá e pra cá, o Digitador só se entusiasmava quando a bola estava pertinho do gol do time de branco.
Quando acabou o jogo, ele voltou a berrar. Agora, a plenos pulmões e com todo o vigor. Fiquei até meio assustada e questionei a sanidade do homem que divide o apê comigo. Na seqüência, os rojões voltaram a perturbar a minha noite. E havia também o ruído de buzinas. Tudo isso durou cerca de meia hora. Por fim, a paz.
Fui dormir com uma dúvida. Não sabia se o que me chateia mais são os ruídos dos rojões ou os berros do Digitador. Acho que menos mal é este último, pois hoje de manhã o cara acordou animado e brincalhão.
Vai, Sport (coloquei essa despedida a pedido do Digitador), Clê
Olha, nem sei qual é a raça desse cãozinho fofo que parece conseguir dormir em qualquer lugar. O importante é que achamos essa imagem no blog Suceço, do qual participa a Sabrina, uma amiga do Digitador. Vai lá que tem mais fotos engraçadas de cães. Pena que não há pugs!
A caixa-postal do Digitador está ficando cada vez mais divertida. Olha a foto que mandaram pra o cara. Ele mostrou a imagem original de uma tal de Marilyn Monroe, mas acho que a pugzinha acima é muito mais linda. Pena que o Kennedy não está mais aqui para comparar!
Quem acompanha as minhas aventuras desde o início lembra que, no dia 3 de março passado, o pai do Digitador sofreu uma isquemia [ND: uma interrupção do fluxo sangüíneo em determinado órgão; no caso do meu pai, foi no cérebro, o que fez a coisa parecer um derrame]. De lá para cá, foram tardes em que fiquei sozinha em casa, pois, segundo me foi explicado, o hospital não admitia cães. Acho isso bem injusto. Afinal, já sei de casos de labradores que estão ajudando médicos a diagnosticar câncer pelo faro. Mas a vida é assim mesmo: quando precisam, deixam a gente entrar.
Há cinco semanas, o pai do Digitador deixou o hospital e voltou pra casa dele. O que é motivo de festa, sem dúvida. Até pra mim, que ganhei de volta as minhas tardes de sábado. Mas havia uma coisa me incomodando. O seu Luiz (esse é o nome do homem) está num sistema chamado “home care” [ND: o paciente fica assistido por enfermeiras 24 horas por dia e sempre tendo alguém da família junto]. Por conta disso, toda semana o Digitador dorme de segunda para terça na casa do pai dele.
Assim, passei a ir para a cama sozinha uma vez por semana. Isso era aliviado um pouco pelo fato de ser o dia em que a Nininha pinta na nossa casa, mas, mesmo assim, era triste. Quando chegava a segunda-feira, o Digitador me olhava com aquela cara de “vou sair e demorar”. Eu respondia com aquele olhar de “vai me deixar mofando aqui?”. Mas sempre entendi que a causa era nobre e nunca enchi o saco dele por isso.
Todavia, uma pulga de inquietude se alojou atrás da minha orelha esquerda: por que eu não podia ir junto? Que mal eu poderia fazer? Acho que pensei tanto nisso que, por telepatia, o Digitador resolveu montar a minha caixinha no banco de trás na segunda passada.
Adoro essas viagens de carro até Mauá. Vamos sempre escutando um sonzinho, vejo a paisagem passando e tiro uns dois cochilos. Graças a este último item, quando chegamos ao destino, desço do carro com toda a disposição (até porque sinto que os humanos adoram as minhas estripulias).
Fomos recepcionados pela Suely, aquela irmã do Digitador que me presenteou com um vestidinho. Ao me ver, ela já começou a soltar um monte de gritinhos em falsete e se apressou em me pegar no colo. Nessa hora, senti aquele cheiro, ouvi aquela respiração e olhei pra baixo: era o Shaolin, o cachorro do seu Luiz. Fiquei mais animada ainda. Quando a Suely me colocou no chão, corri pra cima do meu novo amiguinho. Foi quando percebi que ele não estava muito a fim de papo. Rosnou, fugiu, latiu. Eu fiquei na minha, pois tenho certeza de que ele ainda vai me adorar.
Entramos na casa do seu Luiz. Ele ainda está de cama, mas me pareceu bastante animado. Depois de cumprimentá-lo, o Digitador me atirou no colo do homem, que gritou “Clementina” e começou a me acariciar. Dei o troco e lambi a cara dele, que soltava gargalhadas desprovidas de dentes. Só fui retirada de cima dele porque comecei a brincar com as sondas nas quais ele estava plugado.
Bom, desci e voltei a atazanar o Shaolin, mas ele continuou irredutível. Azar o dele. Na hora de dormir, ficou trancado num quartinho. Do meu lado, tive outra experiência inédita nessa noite: para ficar perto de onde foi instalada a cama hospitalar do pai, o Digitador tem de dormir no sofá da sala. Pois bem, em vez de esticar um paninho para que eu me acomodasse no chão, ele me colocou sobre o sofá, do lado dele. Dormi como um anjo. Adorei esse jeito caloroso de enfrentar o frio das madrugadas mauaenses. E hoje tem mais!!!
Quem, como o Digitador, tem a sorte de conviver com um(a) pug sabe que adoramos dançar. Qualquer migalha de felicidade faz a gente saracotear. Quer seja a chegada de um humano em casa, o preenchimento da cumbuquinha de comida, a entrega de um ossinho fake novo em folha ou o encontro com outro cão. Gostamos tanto de dançar que acabamos criando alguns passos que, depois, acabam incorporados (sem crédito) por astros da música pop. Veja abaixo de onde Michael Jackson tirou a inspiração para criar o moonwalk.
Faltam mais de 20 dias para a coisa começar de fato, mas já me sinto enfrentando o primeiro inverno da minha vida. E ainda não sei ao certo se estou gostando ou não. A região da casa onde curto as minhas noites de sono é um tanto fria. E os meus pêlos não dão conta de me manter aquecida durante a madrugada. O Digitador já chegou a me cobrir algumas vezes, mas eu sempre acabo me livrando do pano que ele joga sobre mim.
O resultado é que durmo parecendo um tatu-bola. Completamente curvada sobre mim mesma. Mais ou menos como naquele dia horrível em que encarei o meu primeiro cio.
Esse é só um dos lados pouco animadores dos tempos mais frios. Outra coisa é que os dias ficam mais curtos. Mal o cheiro do almoço vindo dos outros apartamentos se dissipa, a escuridão já começa a tomar conta de casa. E a impressão é a de que o Digitador demora mais ainda a chegar.
Pior, quando ele chega, parece que o frio congela a disposição dele para os nossos passeios noturnos. Resultado: não é toda noite que a gente enfrenta as ladeiras de Perdizes em busca de novos amigos e de energia para suportar essa queda na temperatura.
Mas, peraí. Como disse o outro, tudo tem seu lado bom. Até o inverno.
Numa dessas noites congelantes, o Digitador disse que estava morrendo de frio nos pés. Colocou meias (sempre comigo pulando nas pernas dele só para desequilibrá-lo), mas não resolveu. Foi então que o homem abriu o armário, ficou de joelhos, procurou bem lá no fundo e tirou para fora o seu mais bem guardado segredo: o par de pantufas abaixo.
Navegando à deriva pela internet, a minha queridíssima leitora Cláudia Yumi encontrou esse site muito bacana com fotos mais bacanas ainda sobre os meus colegas de espécie. Vejam só como nós ficamos irresistíveis trajados como Drácula, Spock e Napoleão.
Ah, se você encontrar coisas como essas, mande pra mim, vai?
Não tenho nada a ver com a escolha do meu nome, mas poderia ter sido pior. Minha mãe se chama Shakira Son of Man, e meu pai, Tedy de Larissa Bright. É mole? Bom, vamos aos fatos: sou uma cadelinha da raça pug, superbrincalhona e (modéstia às favas) simpática. Nasci no dia 12 de setembro de 2007. Entre essa data e 9 de janeiro de 2008 - dia em que passei a dividir apê com um cara que pensa que é meu dono e que digita as minhas idéias -, pouca coisa aconteceu. Por isso, conto a minha vida a partir de então. Antes de começar, um aviso (especialmente dirigido ao cara acima, que passo a chamar de Digitador): eu não estou aqui para curar a carência de ninguém. Como diz a letra do único funk carioca que presta, o que eu quero é ser feliz!